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Mostrando postagens de julho, 2018

Uma dose: Por que a gente procura uma análise?

Cada um vai por um motivo, ou varios   Eu fui levada para análise por algumas razões: a transformação da minha imagem com o processo de emagrecimento, a relação com a comida, os pensamentos obsessivos, a necessidade de buscar um diagnóstico...  Além delas, a ideia, frágil, de que eu saberia de mim, que eu ouviria um saber diferenciado que me colocaria acima de qualquer sintoma. Como muitos, fui pra análise como eu ia para a terapia ou pra consulta com o médico: fui atrás de um saber sobre mim que estaria alocado naquele sujeito, no caso o analista.  Uma vez minha analista, num excelente manejo, me chacoalhou: “você está atrás de um diagnóstico!”.  Aquele corte foi profundo e absolutamente delicado, ao mesmo tempo.  Numa análise a gente descobre que não há autoconhecimento, ou seja, não existe a ideia de que você fará análise para se conhecer melhor. Numa análise você dá de cara com os limites, ou seja, com o desconhecimento. Aquelas fantasi...

Uma dose: Há prazer na dor?

A dor e o prazer são “coisas” muito próximas. Há uma linha muito tênue que as separam. Freud se dedicou a essa questão.  No início ele entendia que havia prazer na dor. Depois ele entendeu que dor e prazer são diferentes. O “no” é que não se trata de uma diferença escancarada e tão pouco fácil de ser lida. A grosso modo, o prazer tem ritmo! A dor já é um descompasso. Essa diferença se marca no corpo, acontece na linguagem. Ou em outras palavras, acontece no sujeito. Indo mais pra Lacan, a dor é aquilo que atravessa uma camada desconhecida, se esvai e por isso atormenta, causa angústia! O prazer, ao contrário, de algum modo “organiza” a vida do sujeito psiquicamente. O masoquismo, por ex, organiza um gozo numa suposta dor, mas cuja dor de tão conhecida deixa de ser dor. Confuso? O masoquista tem prazer na dor, mas não em qualquer dor, senão na que ele controla e conhece. Há também quem goze na repetição. Sabe a famosa “ladainha”? Fulano fala, reclama, reclama, mas sempre...