Uma dose: Por que a gente procura uma análise?

Cada um vai por um motivo, ou varios 

Eu fui levada para análise por algumas razões: a transformação da minha imagem com o processo de emagrecimento, a relação com a comida, os pensamentos obsessivos, a necessidade de buscar um diagnóstico... 

Além delas, a ideia, frágil, de que eu saberia de mim, que eu ouviria um saber diferenciado que me colocaria acima de qualquer sintoma. Como muitos, fui pra análise como eu ia para a terapia ou pra consulta com o médico: fui atrás de um saber sobre mim que estaria alocado naquele sujeito, no caso o analista. 

Uma vez minha analista, num excelente manejo, me chacoalhou: “você está atrás de um diagnóstico!”. 

Aquele corte foi profundo e absolutamente delicado, ao mesmo tempo. 


Numa análise a gente descobre que não há autoconhecimento, ou seja, não existe a ideia de que você fará análise para se conhecer melhor. Numa análise você dá de cara com os limites, ou seja, com o desconhecimento. Aquelas fantasias toda que você criou sobre si e sobre os outros vão caindo... Esse “despir” pode dar uma sensação de desamparo. Não por acaso muitas pessoas abandonam o trabalho de análise. 

Numa análise a gente se depara com o outro, não o outro biológico, pessoa, mas o outro que há em nós. Antes de falar, somos falado. Há um outro sem rosto que nos habita. Há o inconsciente. Há o “Isso” que acontece independente da minha vontade. 

Numa análise a gente não conhece o inconsciente; numa análise a gente o REconhece; não para nos “absolvermos” mas para nos responsabilizarmos. Não essa responsabilidade moral-jurídica! Mas uma responsabilidade que está mais perto da ética, o que torna essa experiência algo absolutamente singular.

Por isso e por outras que só é possível “se responsabilizar pelo desejo” aquele que se submete a uma análise. 

Em suma: Uma análise promove o conhecimento do autodesconhecimento. 

Em algumas pessoas, um trabalho de análise as causam de um jeito tão irreversível, são tomadas por um desejo de mergulhar nesse não-sabido ... que elas até se tornam analistas de outras pessoas. 


Em suma: Não eh possível sentar na cadeira quem nunca deitou num diva.

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