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Mostrando postagens de maio, 2018

Uma dose: Ter ou não ter filhos, eis a questão?

A discussão sobre procriar (pro-criar), maternar e paternar (atos distintos) é muito potente e tem acontecido com força nesse nosso século 21. Enquanto, de um lado, há uma demanda social/histórica sobre a suposta necessidade ter um filho, do outro, há um questionamento sobre essa demanda. E a questão que insiste é: por que ter filhos? / para que ter filhos? A primeira pergunta busca uma causa, a segunda uma finalidade. Não são triviais.  Essa discussão também cresceu, na minha opinião, por causa do movimento feminista, que, no mundo todo, tem ganhado ainda mais  relevância social.  Questionar um ato, tão naturalizado, é revolucionário, pois, no limite, permite que, principalmente as mulheres, se impliquem nisso, não para desistirem de serem mães, mas para questionarem suas decisões e supostas vontades.  Ao perguntar "por quê?", a demanda histórica desliza...fica sob deriva....dando espaço para que o questionamento sobre os nossos desejos surjam. Af...

Uma dose: Precisamos eliminar o mal-estar?

Sinto lhe desapontar, caro leitor, mas não é possível eliminar o mal-estar.  O que se pode fazer, contudo, é questioná-lo e, quem sabe, transformá-lo.  Mas, deixe-me explicar-lhe uma coisa importante: não é possível eliminar o mal-estar porque ele é uma condição por vivermos no simbólico. Somos sujeito de linguagem, nossa vida se constitui no laço social mediado por essa estruturada chamada de linguagem; algo que não é natural, obviamente, mas que ao mesmo tempo que sofre determinações também determina.  Por não ser possível eliminar o mal-estar, não existe essa coisa de que uma análise/terapia/yoga/meditação/livro de autoajuda promoverá "autoconhecimento" ou te fornecerá o segredo da "felicidade plena", propostas teológicas, no limite, e que não passam de tentativas de apagar a verdade indigesta: o mal-estar não é eliminável. Mas, Porém, Todavia, Entretanto (sempre há um "a mais" que faz uma boa diferença). Não é porque o mal-estar é ...

Uma dose: O paradoxo do poder

Calma! Este não é um post sobre política, apesar de ser. Este não é um texto sobre capitalismo, apesar de ser. Mas, sem dúvidas, este não é um texto sobre autoajuda.  Queria começar esse papo dizendo que eu não tenho muitas certezas. E quando escrevo isso, não se trata de arrogância ou de uma posição desengajada. Trata-se de reconhecer os limites do próprio saber.  Porém, se tem uma coisa que eu tenho quase certeza é de que a vida NÃO nos reserva um destino, num sentido pastoral; como se viver fosse um estado de preparação para um lugar ideal, em que haveria uma espécie de harmonia última. Bom, há quem acredite que esse lugar é a velhice, quando a aposentadoria chegar; outros acreditam que esse lugar é quando a morte chegar. Ou seja, há um sentido cronológico sobre como o  tempo é concebido nas nossas formas de viver (ocidental).  Essa ideologia do tempo é cruel e, como qualquer crueldade, alimenta a consciência moral. Isso não sou eu - ex...

Uma dose: Freud explica...passado, presente, futuro

Sempre me peguei pensando por que Freud recorria tanto à infância pra argumentar suas descobertas; c omo se a infância fosse a fase mais importante da vida.  Pensava comigo: “Esse não seria um jeito de super valorizar, mitificar e de até fantasiar a infância?”. Até porque, pensava e continuo pensando, a “infância” é uma  invenção histórica.  Daí eu, sem conhecer muito Freud, como a maioria dos que o criticam, achava blasé demais essa história de “infância”.  Pois é...Até que ao me envolver com a psicanálise, eu entendi - não pela via teórica propriamente, mas pela prática analítica- que os eventos da infância não são importantes para o trabalho de análise porque eles seriam mais marcantes do que os eventos da fase adulta (até por que, né?, onde começa a fase adulta?), e sim porque os eventos da vida adulta tomam sentido e relevância a partir do nosso passado. E daí faz ainda MAIS sentido pesar a psicanálise no campo das ciências da linguage...