Uma dose: Precisamos eliminar o mal-estar?
Sinto lhe desapontar, caro leitor, mas não é possível eliminar o mal-estar.
O que se pode fazer, contudo, é questioná-lo e, quem sabe, transformá-lo.
Mas, deixe-me explicar-lhe uma coisa importante: não é possível eliminar o mal-estar porque ele é uma condição por vivermos no simbólico.
Somos sujeito de linguagem, nossa vida se constitui no laço social mediado por essa estruturada chamada de linguagem; algo que não é natural, obviamente, mas que ao mesmo tempo que sofre determinações também determina.
Somos sujeito de linguagem, nossa vida se constitui no laço social mediado por essa estruturada chamada de linguagem; algo que não é natural, obviamente, mas que ao mesmo tempo que sofre determinações também determina.
Por não ser possível eliminar o mal-estar, não existe essa coisa de que uma análise/terapia/yoga/meditação/livro de autoajuda promoverá "autoconhecimento" ou te fornecerá o segredo da "felicidade plena", propostas teológicas, no limite, e que não passam de tentativas de apagar a verdade indigesta: o mal-estar não é eliminável.
Mas, Porém, Todavia, Entretanto (sempre há um "a mais" que faz uma boa diferença). Não é porque o mal-estar é um fato, que não poderemos amenizá-lo ou modificá-lo. Só que... para que isso ocorra, é preciso que a gente o interrogue, o que pressupõe que o sujeito se implique nessa tarefa, afinal, isso que "lhe" acontece está no mundo, no laço social.
Já imaginou, caro leitor, como seria revolucionário se as pessoas pudessem, de algum modo, saber as razões de seu sofrimento?
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